Eram meus últimos dias de férias e lá estava eu e minhas amigas em uma praia que mais parecia uma pintura. Minha mente oscilava entre coisas fúteis e desnecessárias – mas que para mim eram essenciais -, enquanto eu observava aquele imenso mar e olhava, sem muito interesse, as silhuetas que passavam frente a mim.
Flávia, minha melhor amiga desde os cinco anos de idade, falava sobre Caio (o que ela fazia sempre de uns tempos pra cá). Ela estava totalmente apaixonada e já começava a parecer uma daquelas damas dos livros que lemos em literatura, aquelas da época do romantismo. Damas submissas, dependentes e totalmente perdidas por um amor que só as faz sofrer (pelo menos para ela ainda não chegou a parte do sofrimento, e realmente espero que nunca chegue, mas sabe como é, né?!).
- Não exagere Flávia, ele não é tão perfeito assim – dizia Camila, minha amiga possuidora de atitude e coragem, totalmente ao contrário de mim, que sou corajosa apenas na aparência, no jeito de agir, mas por dentro sou muito sensível, e pequenas coisas me magoam com facilidade.
- Cami, não fale assim do meu Caio. Ele é totalmente perfeito. Você só está assim, por que não sai desse marasmo, sem homem. Não concorda, Júlia? Júlia acorda! Estou falando com você!
O som do meu nome afastou meus pensamentos fúteis e fez com que eu me concentrasse na conversa das duas e perceber que se eu não agisse logo começaria uma discussão.
- Ele é um bom garoto. – Mas quando vi o olhar de Flávia preferi acrescentar – Na verdade um ótimo garoto. Mas não vamos deixar que nenhum garoto por mais maravilhoso que seja interfira na nossa amizade, não é?
Eu queria que as palavras não pendessem para nenhum lado, por isso medi cada palavra com cuidado e percebi que a estratégia dera efeito, o ar não tinha mais o cheiro de discussão iminente.
Nisso eu sou ótima – não a parte da discussão iminente, e sim na parte de escolher cada palavra cuidadosamente, prevendo o efeito que podem causar nas pessoas, e querendo que esse efeito sempre seja de calma, amizade e tolerância.
Pode até parecer bobo, mas eu sei como palavras desmedidas podem machucar.
Mas não queria estragar os pensamentos de Flávia e ouvi-a continuar implicando com Camila, mas num tom mais ameno, como se fosse briga de crianças para ver quem tinha o melhor brinquedo.
Eu gostava que uma de minhas amigas estivesse apaixonada assim, mesmo que às vezes fique nojento o grude dos dois, Flávia e Caio formam um belo casal. E não é só porque uma não tem sorte no amor (Camila) e a outra nem pensa nisso (eu), que ela não pode (e deve) ser feliz.
Nunca namorei sério, nunca me apaixonei e sei que ainda não está tarde, mas realmente isso não está nos meus planos agora, acho que para namorar sério você precisa acima de tudo de querer e poder “mergulhar nesse amor de cabeça” e eu não posso fazer isso, pois ultimamente venho confiando nas pessoas cada vez menos. Fico com medo de me machucar principalmente depois de um pequeno ocorrido que aconteceu recentemente e que não gosto de falar a respeito e minhas amigas me respeitam não tocando no assunto também.
O amor nunca foi importante pra mim, mas agora, no meu ultimo ano de colégio as chances de ter meu primeiro amor antes de ir para faculdade estão acabando.
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