Faltando alguns dias para o primeiro de dia de aula decidi matar tempo andando pelo shopping – um hábito que adquiri da Camila, ela a-d-o-r-a ficar andando pelo shopping (a única diferença é que ela faz isso para ficar apreciando a beleza dos garotos que passam por ela).
Estava procurando por um vestido para “a festa do ano” que aconteceria dentro de umas duas semanas. Era a festa da Vanessa, uma menina metida à besta, que apenas me convidou depois que Camila, que é amida dela (Camila é aquele tipo de pessoa que tem amizade com todo mundo, é muito sociável e, consequentemente, muito popular), insistiu para que ela me convidasse, caso contrário ela também não iria a festa.
Então a Vanessa acabou me convidando por livre e espontânea pressão.
É claro que eu bati o pé e disse para Camila que a Vanessa não era obrigada a convidar quem ela não quisesse, mas a minha amiga além de sociável, é também cabeça dura e ficou irredutível.
Então aqui estou eu, escolhendo um vestido para a bendita festa.
Sinceramente não faço à mínima ideia do que comprar. Segundo minha mãe eu nem precisava sair para comprar roupa, pois eu tenho roupas suficientes para ir a umas trocentas festas sem repetir de roupa, mas não é essa a questão... Eu preciso de uma roupa que me deixe linda, esbelta e atraente (Algo muito além do que minhas roupas poderiam fazer).
E se eu tiver mesmo que ir a essa festa, eu vou fazer valer a pena. TENHO que arrasar, deixar de ser a menina ingênua, calma e “paz e amor”.
Essa festa era quase uma tradição de volta as aulas no meu colégio, e como era o último ano iria ser também a mais importante. Eu agradeço internamente por Camila conseguir convencer a Vanessa a me convidar, porque caso contrário essa seria minha morte social.
Eu realmente espero que tudo aconteça bem nessa festa e que Vanessa não resolva me enxotar de lá aos socos e pontapés, seria minha decadência (e eu faria de tudo para que fosse a dela também).
Pode até parecer estranho, para uma garota adolescente, mas já estava ficando cansada e entediada em meio todas aquelas vitrines. Pouco a frente vi uma vitrine diferente, uma nova loja fora aberta no shopping, e entrei nela. Se eu não encontrasse o vestido perfeito ali, já não encontraria em nenhum lugar. Eu já tinha explorado todas as outras lojas.
Admito que aquela loja entrou para minha lista vip. Nunca vi tanto vestido bonito junto, restava saber qual era o perfeito.
Já tinha experimentado uns oito vestidos e estava experimentando um azul claro muito lindo, suas pequenas alças eram discretas e ele se adaptava as poucas curvas do meu corpo, porém moldando-as de um jeito que nunca vi antes. A vendedora pediu que eu abrisse a porta para pegar outro vestido e ao atendê-la bati a porta em alguém. Sai imediatamente para pedir desculpas.
- Desculpe-me
- Não tem problema.
Aquela voz me atraiu e fui obrigada a olhar diretamente para o rosto do dono daquela voz arrebatadora. Não devia ter feito isso, pois o rosto era mais arrebatador ainda. Era um garoto alto, deveria ter a minha idade e era muito bonito. Seu sorriso era encantador e seus olhos... Não há como descrevê-los, eram doces e ternos, como os de um pai quando olha para seu filho e tinham um tom de castanho exatamente do mesmo tom de mel.
Estava tão distraída, mas quando ele falou novamente despertei de meus devaneios.
- Com licença senhorita
Deixei-o passar, seguindo seus movimentos com os olhos. Fui pega de surpresa ao vê-lo virar e dizer:
- Bonito vestido, ficou muito bom em você.
- É... Obrigada.
Não me olhei no espelho para ver, mas sei que fiquei extremamente corada, senti o calor tomar conta do meu rosto. Ele foi embora, e continuei olhando. Tenho que admitir que nunca um garoto me atraíra tanto.
Acabei levando o vestido.
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